Quando assisti ao Corcunda de Notredame pela primeira vez, dormi. Acho que pelo fato de ser dublado, já que eu entendo melhor filmes legendados. Talvez também por ser desenho animado. Mas depois, e especialmente hoje, penso no Quasimodo. Na sua reclusão desde a infância. Na sua iniciativa de conhecer o mundo, de predispor a exposição de sua figura. E então, recompensado pelo destino, enxergou Esmeralda. Não a pedra, mas uma pessoa. Não a frieza de uma pedra com seus átomos, prótons, elétrons e quarks, mas a sensibilidade de alguém que viu o pano de fundo, e não a figura feiosa que ele demonstrou ser.
Um dia ele teve que se defrontar com o Frollo, eu grande rival, pelo amor de Esmeralda. O que dizer então se ao invés de Frollo, Quasimodo não encontrasse à sua frente uma capa e uma espada invisível, entre ele e Esmeralda? Ainda que subisse no sino da catedral, e tocasse aos quatro ventos, pedindo explicações aos amigos e inimigos, ele jamais entenderia. Teria que olhar pra si, pra identificar alguma vontade de entendê-la. Teria que ver, dentro de suas entranhas, uma vontade mínima de conhecer os reais motivos do embate. E pra isso, não bastaria olhar-se no espelho todas as manhãs. O estigma de Quasimodo era sobremodo conhecido pelos demais. Mas ele teve de se apoderar do improvável para conseguir o seu Grand Finale. Coincidencias?
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