sábado, 2 de junho de 2012

Laissez Faire, Laissez Passer & a saga da Fenix


                          A descrição mitológica é esta aqui : a fênix tinha penas brilhantes, douradas e vermelho arroxeadas. Era, pasmem, capaz de carregar pesadíssimas cargas, mesmo tendo um tamanho aproximado de uma águia. Vivia exatamente 500 anos; quase ao fim deste período, pressentindo a sua morte, ela construía uma pira de ramos de canela, sálvia e mirra, em cujas chamas morria queimada. Mas das cinzas renascia uma nova fênix, que de maneira minuciosa, cuidadosa, cautelosa, colocava os restos de sua progenitora em um ovo de mirra e voava bem alto até a cidade de Heliópolis, no Egito.
                    Tem gente que adora tatuar fênix no corpo. Do meu circulo de amigos, conheço pelo menos duas pessoas que fizeram tatoo de fenix. Sem dúvida, trata-se de um grande símbolo, denotando força, ausência do medo paralisador, que faz com que as pessoas estacionem em cima da pira, não permitindo reaprender e recomeçar, deixando as cinzas serem molhadas pela chuva - que sai lavando e levando tudo embora.  Recomeçar, reiniciar, respirar fundo, tentar de novo. Como isso pode ser difícil, tratando-se desse complexo ente chamado SER HUMANO.
                    Com nossa alma conquistamos o nosso lugar : em nossa casa, em nosso casamento, em nosso trabalho, em nossa família, e principalmente, diante de nós mesmos. Esta alma precisa estar preparada para discernir entre o que é possível e o que só é imaginável. Deve estar convicta do momento de dizer : PAROU ! Deve estar certa das suas escolhas, e assumir os preços a pagar. De novo eles, os preços... muitas vezes altos, incoerentes, e até indesejados. Porém, quando sabemos que a vida é sequência, e que as coisas simplesmente vão acontecendo, e se não damos nome a elas, elas nos dominam, então resta que postura ? Laissez Faire, Laissez Passer ! "Deixai fazer, deixai passar".
                     Mas como ? O que é isso ? Deixar fazer, deixar passar o que ? Deixar passar o que é confuso. Mesmo que seja para aprendizado, já que antes de aprender, todo ser humano precisa ficar confuso ( Neurolinguística ). Deixar passar o que dá sinais de falência. Deixar também o medo de nossa própria companhia - pois não há ninguém que fique conosco tanto tempo quanto a gente mesmo. Deixar a postura de patroa, sempre submissa, sempre disponível, sempre boazinha. Abandonar a gueixa que espreita em alguma brecha inconsciente. Deixar fazer sol na varanda da alma. Deixar a chuva molhar o nosso rosto, porque não corremos quando ela começou a cair. Deixar-se caminhar na rua, olhando as pessoas, a vida em movimento. Deixar fazer sentido, todo o sentido do mundo, as escolhas que certamente definem, num  lampejo ou em razão de uma vida inteira - o nosso futuro. Futuro incerto. Quem paga pra ver ??       

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Porque a felicidade é de quem se atreve... !


                        Dizem que é clichê, mas felicidade é assim, é uma palavra grande, um sentimento poderoso, uma força mobilizadora, capaz das maiores coisas. Muitos a desejam, mas poucos ousam pagar o preço. "Então há um preço?" - haverão de me perguntar, com olhar incrédulo. Tudo na vida tem preço, até mesmo a inércia... até mesmo a demora em tomar decisões, seja por comodismo ou por pura insegurança. Se tenho reais possibilidades de sonhar, mesmo que alterne em mim necessidades de rastejar, terei a coragem de, mesmo com medo e susto, viver coerentemente em relação ao meu sonho e à minha felicidade. O que é felicidade para mim, então ?

                       É ACEITAR A VIDA SEM HESITAÇÕES. É estar consciente de que nem sempre ela será uma linha reta, com cenas magistrais. É ter a certeza de que sou imperfeito, e como tal irei errar uma, duas, incontáveis vezes, mas que isto não determinará meu conceito sobre mim mesmo. É SABER QUE SE ESTOU NA CHUVA, É NORMAL QUE ME MOLHE. Nem por isso serei menos autêntico do que o seria se estivesse de roupas secas, arrumadas e alinhadas, como um ator de categoria, representando o papel que alguém escolheu pra mim. 

                        Quando decido aceitar a idéia de ser feliz, o faço sem vaidade, sem me preocupar com o protótipo vendido pela opinião alheia, que afinal pode limitar e podar, sem que eu saiba onde eu começo de fato, e onde termina a interferência de tantos. Estes pequenos pesos, não necessito levar em minha bagagem. Nem estes, nem outros, como a permissão para que outros façam de meu coração uma sala de festas, onde os convidados vão embora e o aniversariante fica arrumando a bagunça, que afinal ali se instalou. SER FELIZ É COISA SÉRIA, não tem data nem hora para acontecer, mas em alguns momentos posso ter certeza de que serei brindado com uma taça de felicidade, e isto, quando eu menos esperar.

                        Terei sobre mim olhos que desconcertam, bancarei o bobo de vez em quando, ligarei sem ter a certeza de ser atendido. Farei esforços sobrehumanos para encaixar em minha agenda um tempo para segurar as mãos que encontram as minhas, e não verei o tempo passar. Para mim, aquele momento será a certeza de que meu coração - embora desconfiado - terá o direito de bater apressadamente outra vez, mostrando-me que sou capaz de amar outras vezes, com mais e mais intensidade. Terei também o momento de sentir saudades, e de faze-las conhecidas. Meu momento será de emoção e celebração - pois seguramente terei liberdade de sorrir ou chorar conforme o meu capricho, tendo a certeza de que haverá um par de braços me esperando, como se dissessem assim : "ei, estou aqui. Relaxa, vamos aproveitar o agora". Olharei para estes olhos e verei uma infinidade de possibilidades. Sentirei coisas difíceis de explicar, e terei a sensação de estar protegido, quando na verdade, estarei protegendo. Porque a vida é assim, é perplexidade e resposta, é incerteza e atitude.

                           Sabe por que?? Porque a felicidade pertence a quem se atreve. Basta se permitir. 

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O Benefício da Dúvida

Eu sou quem sou : aquela que concede a si mesma o benefício da dúvida. De todos os dilemas humanos, alguns são tão singulares, tão expressivos, que o único modo de seguir é continuar duvidando. A busca de uma resposta pronta, de preferência a que esperamos, alivia o ser e aplaca a ansiedade. Mas aí é que está : uma resposta fast food talvez não interesse, talvez não traga o que se procura, e mais ainda : talvez não nos dê a VISÃO que precisamos para tomar a decisão mais certa - aquela que nos fará sorrir por dentro, felizes e satisfeitos.
 
Ao invés de apreciar o ponto (.), posso colocar em cima dele uma exclamação torta, e transformá-lo numa interrogação (?). A interrogação é mais interessante porque não revela o resto do conteúdo, deixa o suspense motivar a imaginação; faz com que a pessoa siga apostando. Diante de uma interrogação, fazemos outras reflexões - impossíveis diante de um simples ponto, seja parágrafo ou final. O ponto, seja no caderno, no blog ou na vida, não é a melhor maneira de se encerrar uma frase, ou uma fase. Um ponto, por mais alívio que traga, não é a mesma coisa que uma interrogação. Não é mais benéfico que a dúvida.

Hã ? Está casado há 20 anos e acha que viverá mais 30 ao lado ? Sem conquista, sem inovação ? Sem jantar a luz de velas, sem um beijo inesperado ? Será ? Será que o amor virou costume e não se soube exatamente quando ou como ? ... ok, é a empresa que não vive sem você, porque você implantou algumas coisas legais e diferentes ? Será mesmo que não virá ninguém melhor e mais ousado ? ... ah sim, o seu corpo, você acha que está bom assim, que a barriguinha é charme e o cabelo precisa só estar limpo ? Será que não há necessidade de uma mudança, pois está com mais de 50, e sempre disseram a você que o que importa é a beleza interior ? Será ? ... Será que não há mais nada a ser acrescido à sua vasta ou curta experiência, e que do lugar para onde estão indo você já veio, e que quando vão com o milho você já comeu o fubá ? Será ? ...

... Todos, sem exceção, um momento olham-se no espelho da vida. Certo como o ar que insufla nossos pulmões é a mudança, inexorável, rápida ou lenta, benéfica ou maléfica, o fato é que tudo muda. E a nossa cabeça precisa estar bem para acompanhar tais variações; não só de humor, mas de amor, de vida, de peso, de sonho, de objetivo... de encarar as adversidades sem perder a compostura e a alegria na vida. 

As dúvidas, então, são benesses que recebemos. Não se queixe se você não tem certeza de algumas coisas. Se não lhe disseram o que você gostaria de ouvir; se não lhe interpretaram como deveriam; não reclame por ter que aprender outro modo de fazer as coisas que sempre fez tão bem; numa dessas oportunidades, quem sabe o inesperado surpreende, e você ganha de novo o brilho nos olhos ? A dúvida é oportunidade de encontro. E ponto.


 
 

domingo, 31 de julho de 2011

Náufrago : Um estressado no paraíso ?


Você já assistiu o filme "Náufrago", com Tom Hanks? Eu já, quatro vezes. Se você conhece a história, há de lembrar que Chuck, o personagem vivido por Tom, é uma espécie de supervisor do FedEx americano, similar ao nosso Sedex. Obcecado por tempo, relógio, celular e pager, ele diz insistentemente que "o tempo nos salva ou nos mata". Com esta filosofia, Chuck vai levando sua vida mediana, alternando-se entre o trabalho com constantes viagens e o romance com a doutoranda Kelly Fears, que apesar do jeitão de Chuck, ama o estressado. Chega a noite de Natal, e Chuck festeja a data com Kelly, a família dela e alguns amigos, quando chega uma mensagem em seu pager avisando-o que terá que viajar naquela noite mesmo. Eles trocam um olhar, e ela já sabe que ele vai de novo viajar, e pede que ele esteja lá no Reveillón. Diz ainda que tem um presente para entregar, e ele sugere que seja no carro, pois têm que ir para o aeroporto. Minutos antes de embarcar, ela dá a ele uma herança de família : um relógio de bolso, que pertencera ao seu avô, com uma foto dela. Ele adora o presente, e lhe retribui dando o que ?? Adivinhe ? Um pager e um diário ! ( risos )... e vai embora, prometendo voltar.

Ocorre que nós, seres humanos, não somos donos de nada, nem do tempo, nem da vida, nem do destino. O avião de Chuck cai no meio do oceano e só ele sobrevive. E vai parar numa ilha paradisíaca, mas deserta. Lá, entre o choque de estar na situação e o desejo de sair dela, ele vai dia após dia aprendendo a sobreviver, abrindo o coco, buscando a água, pescando o peixe e protegendo-se da tempestade. Ele aprende a fazer fogo, fogueira, corda. Três dias depois, resolve ir para o mar, munido do bote salva vidas e um minúsculo remo. É claro que não dá certo, e as ondas o derrubam. Pra completar fere a perna em um coral. Detalhe : lá não tem antibiótico nem antiinflamatório, muito menos curativo industrializado. Ele sofre muito ! O aprendizado é árduo, ele se fere, se machuca, se estressa. Como assim ? Um estressado numa ilha paradisíaca ? Penso que as pessoas muito apaixonadas não sabem o que dizem quando declaram : "Queria estar numa ilha deserta com você". Hã ? Como assim ? Pára o mundo que eu quero descer.

Uma ilha deserta é uma ilha deserta. Não tem as comodidades de um hotel, um resort, ou mesmo de uma cabana tropical. Não tem água potável, a não ser que o náufrago descubra um rio de água doce; não tem banheiro, não tem onde fazer number one nem number two. Não tem cama fofinha, não tem pijamas de algodão. Chuck que o diga. Ele quer ouvir o som da própria voz, para aplacar a solidão. Adota uma bola de vôlei trazida nos pacotes de FedEx trazidos pela maré, e a reveste de personalidade. É o Wilson. Quatro anos se passam, até que maré traz um pedaço do avião, que logo dá uma idéia ao náufrago : se com bote inflável não deu certo, com uma "vela" de metal, resistente, dará. E Chuck começa a realizar seu projeto, dia e noite : ELE QUER FUGIR PARA O MAR. Tá bom de ilha deserta. Até suicídio já passou pela sua cabeça... então resta arriscar. Melhor morrer tentando do que nunca sair da ilha, do paraíso. As ondas quebrando nas pedras, deslizando pela areia... o pôr-do-sol, o nascer do sol... isto não interessa mais pra ele.

Quando fica pronto, ele vai com "Wilson", fugir para o mar; e escreve na pedra ( na primeira imagem acima ) :

"Chuck Noland esteve aqui por 1500 dias, e resolveu fugir para o mar. Por favor, diga a Kelly Fears, de Memphis, que eu a amo".

Feito isso, ele joga a jangada no mar e vai, rema, luta pelo seu sonho. Ah, sim, agora ele já conhece o movimento das ondas, ele sabe como é a maré. Está mais preparado. E com esforço chega ao alto mar, consegue seu objetivo. Mas... vem a tempestade, leva para longe as velas, leva para mais longe ainda Wilson, a bola amiga. E Chuck se desespera. Agora sim, ele é a figura da solidão. Joga os remos fora, se entrega. Espera a morte por desidratação, ou quem sabe devorado por uma fera marinha, como a baleia que passa ao seu lado. Mas aí vem o golpe de misericórdia. Um navio o encontra. Ele diz só uma palavra, estendendo o braço em clemencia : "KELLY".

Em sua casa, Kelly atende o telefone, e em seguida reconhece a voz e desmaia : Chuck, o seu antigo noivo, por quem ela sofreu, está vivo ! Ele é recebido com festa, mas o que quer mesmo é encontra-la. Nos 4 anos na ilha, era dela a foto que ele olhava, esperançoso de encontra-la. Mas quem aparece no encontro é o marido de Kelly, dando um chega pra lá em Chuck. Com muita educação, é claro. Mas à noite Chuck pega um taxi e vai até a casa dela. Ele quer realmente ve-la. Aí ela o recebe, abraça, fala de tudo o que passou na ausencia dele... e ele diz que sabe que ela é casada, que tem uma filha... e devolve o relógio, sem a foto.Ele diz :

- Nunca deveria ter entrado naquele carro; nunca deveria ter pegado aquele avião.

Ela diz que o ama, que ele é o amor da vida dela. Ele também diz o mesmo. Mas ela tem que voltar pra casa, sua vida agora é outra. Tem marido e filha. Ele vai embora. E diz a um amigo :

- Eu agradeço a Kelly por ter ficado comigo naquela ilha. Era o desejo de reve-la que me fazia ficar vivo. Eu a perdi uma vez, e estou perdendo outra... mas sei que preciso continuar respirando. Amanhã o sol nasce de novo... quem sabe o que a maré poderá me trazer ?

E traz mesmo. Ele conhece outra garota, bem no fim do filme.

sábado, 19 de abril de 2008

OS MISTÉRIOS DE CADA UM


Cada um tem a sua carga de mistério, enigma, segredo. E cada vez que encontramos alguém, nossos mistérios, enigmas e segredos também se encontram. Às vezes são até parecidos, diria. Mas às vezes também são conflitantes. Cada um tem a sua bagagem. Coisas trazidas dos caminhos : cartas, papéis de bombons, pétalas de rosas secas, camisas, bilhetes, fotos ( umas cortadas, outras não), cd´s, músicas favoritas, lembranças que surgem com os olhos fechados, cicatrizes (!!), planos que só foram planos. E a certeza: SOBREVIVE-SE ... e APRONTA-SE novamente para uma nova história.
Parece mentira, mas aquelas juras, e até aquele sofrimento agudo do fim, tudo passa. A dor passa. A melancolia passa. Ontem assisti com um certo atraso "AMOR EM TEMPO DE CÓLERA", baseado na obra do Garcia Márquez. Fiquei pensando se um dia não quis dar uma de Florentino Ariza. Macacos me mordam ! O homem esperou 52 anos pela tal mulher de sua vida.
Ao contrário do que possa parecer, não tive nenhuma decepção. Está tudo bem, tudo certo. Tudo regular, tudo estável. Apenas quero demarcar essa posição de observadora da vida e das pessoas. De suas cargas. E da missão que temos de ser diferentes, de sermos bons, abertos para o novo, ou talvez para o velho. Sempre há algo a aprender, a ensinar, a dizer, a ouvir, a falar. Mesmo que seja em meio a soluços do outro lado. O mundo pede pessoas simples, desinteressadas e dispostas a abrir o cadeado. E quem adentra deve ter o cuidado de saber entrar... e quando chegar a hora, sair. (Se) sair.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Tratado sobre o ciúme


O conhecimento de causa é o primeiro pressuposto para falar de algo. Neste primeiro post, vou falar como conhecedora de causa do ciúme. Suponhamos que Mme. de Deshoulières está sentada ao meu lado, dizendo sua famosa frase afirmativa de que um pouco dele (do ciúme) desperta um amor feliz que aferrece. Ora, é uma boa frase para se pensar. Em amor. E mais do que isso, em amor feliz. Ou terei que concordar com outros filósofos ao pensar que o amor para ser feliz tem que ser um pouquinho infeliz? Aqueles 0,1 ou 10% (!!) que deixam a certeza absoluta transformar-se em relativa?
Coríntios 13 diz que o amor não é ciumento. Logo, se tenho ciúme, não amo. Rochefoucald disse que há nesse sentimento mais amor - próprio do que amor genuíno. Sthendal complementa afirmando que a agudeza com que se sente tal coisa ocorre porque nossa vaidade é abalada. Já Dostoiévsky acha que os ciumentos são os primeiros a perdoar. E Roland Barthes arremata : o ciumento sofre 4 vezes : por ser excluído, por ser agressivo, por ser doido e por ser vulgar. Qual é a verdade, então?
Seria uma ode do rei a canção "o meu ciúme"? Será que quando compôs tal coisa sua auto-estima e auto-imagem estavam arrastando ao chão? E Shakespeare, estava sofrendo de dor aguda nos cotovelos quando escreveu Othelo? Será que a responsabilidade por este sentimento, quando tem razão de ser - é de uma pessoa somente? Será que é do mais inseguro, do que fantasia, do que procura cabelos em cabeça de ovo, ou vê coisas onde não existe nada? Será que lá no fundo não existe algo - um olhar, um detalhe, uma desatenção, uma insistenciazinha em explicar o inexplicável - que justifique isso? Sim, porque nunca vi ninguém dizer que é feliz por sentir na boca aquele gosto amargo, os olhos ardendo, coração acelerando ou aquela insônia por mais cansado que esteja. Outra informação 'de campo' é : nada disso justifica atitudes extremas, como abrir bolsas, checar se a pessoa está onde estaria, seguir o carro do outro no meio de uma chuva torrencial. Isto é doença... e merece tratamento.
Mas o sentimento ao qual me refiro aqui é aquele em que você constata, não sem tristeza, que há subterfúgios e coisas não reveladas : um convite irresistível ao recolhimento gradual das suas atenções; à vontade de não mais estar com o outro, por não conseguir olhá-lo nos olhos sem sentir o peito apertar; à necessidade de se certificar do que você quer, antes de respirar fundo e prosseguir caminhando ao lado do seu "amor". Estou falando do ciúme sem escândalos, cenas, ou mesmo vozes alteradas ao telefone; da muda constatação de que há a necessidade de mudar de foco, e até tornar, quem sabe, aquele amor menos importante, e menos essencial.
O primeiro post de 2008 é o reflexo da minha alma hoje; sábado à tarde, 2 :40min. Poderia falar de qualquer outra coisa, mas resolvi deixar aqui no meu diário virtual. Quem já passou por isto sabe do que estou falando. Sabe que às vezes se esconde amores com medo de perdê-los, e às vezes os perdemos por escondê-los. Que seguramos nas mãos de alguém com medo, e que esse medo às vezes nos faz esquecer que ainda temos mãos. Que expulsamos pessoas de nossas vidas e depois nos arrependemos por isso. Que passamos noites chorando, e às vezes quase não dormimos, tal é a felicidade sentida. E que um dia acreditamos em amores perfeitos e descobrimos, como todos os que nasceram, morreram e aqueles que ainda vão nascer, que tais amores não existem. Que amamos pessoas que nos decepcionam e decepcionamos pessoas que nos amam. Que mentimos e nos arrependemos. Que falamos a verdade e também nos arrependemos.
QUAL SERÁ, ENTÃO, O MAIOR ARREPENDIMENTO ?
( Ivy - Primeiro post do diário de uma ciumenta com causa ).

Buenas Tardes.

sábado, 24 de novembro de 2007

A Lua e nós



Lua. Será que além de nós, alguém a percebeu estes dias? Se percebeu, tomara que não tenha sido para falar de lobos, uivos, lobisomens, nem almas. Isso é para os supersticiosos. Se alguém a viu, além de nós, tomara que tenha percebido o quanto ela é linda e absoluta no céu. E sob sua luz, sob seu brilho... ah... não é tudo que se pode dizer... mas se pode pensar. Podemos pensar, e quantas coisas vêm... mais de 11 luas, bem mais. 11 anos? talvez nao. 11 momentos? Muito pouco. 11 oportunidades, 11 marcos, 11 lembranças, 11 datas em que nos olhamos e pensamos por quantas mais estaremos sob a lua, ou olhando para ela. Admirando-a. Pensando em como... como ela faz parte de nossa história, nossos olhares, como os de ontem. Nossa muda testemunha. E ela também testemunhou quando escrevemos uma praia inteira, quando nos sentamos para conversar ( tantas vezes ), quando as cordas da viola vibraram e minha voz tímida cantou só pra você, morrendo de vergonha (admito!!). Nosso sonho de valsa, a testemunha do brigadeiro mágico... tua companhia no avião, aquela que anda conosco... andou ontem, não foi? ... e hoje... se vc estiver à minha espera, ela vai ver outras coisas. Vai ver como nossa história prossegue... como nos amamos, imperfeitamente, deliciosamente. Sei que falar de você é muito fácil. Mas em se tratando de mim, é difícil, porque sou suspeita. E como na mensagem incompleta, reitero sua importancia em minha vida... sempre muito presente... porque não estando, a saudade acusa a sua ausência... aumentando a vontade de estar com você de novo, e simbolicamente, e enfaticamente, te entregar todos os dias, numa renovação contínua, meu coração... cada vez, sempre e mais. TE AMO !!!


NOSSA LUA CHEIA

Ouvir tua voz
É melaço em meu peito
É um doce de cereja
Que se desfaz na boca
Ao ouvir-te, todo meu mundo
Se vira do avesso
Um dia jurei
Que te amaria p’ra sempre
E quando te ouço
Meu coração dispara
Num torvelinho endoidecido
É como se regressasse ao tempo
De quando te conheci,
Que sobre a chuva impiedosa
Num jardim da cidade
Te disse p’la primeira vez
Que te queria
Nunca me canso de te amar,Meu amor
E apesar de já ter passado
Algum tempo, nossas noites
Continuam a ser como da primeira
Onde sem poréns, nos possuímos
Tontamente, e nossos corpos
Passam de dois, a ser apenas um
Num sentimento puro, e guloso
Te quero tanto, meu amor
Quero apenas,
Mais momentos de felicidade
E que a tua presença,
Seja uma lua cheia p’ra minha vida
A nossa lua cheia.


( FERNANDO RAMOS) - Poeta português... perfeito em suas palavras. Bjos....