domingo, 30 de setembro de 2007

O Pulo do Gato

Desde criança ouço sobre ele. O pulo do gato. Aquele segredo, aquele diferencial, aquele "QUÊ" caracterizando alguma habilidade... quanto maior o pulo, melhor o gato. E aí hoje, nesse ócio domingueiro, fico a me perguntar como gatos aprendem a pular. E em como se beneficiam do pulo. Na verdade, sendo totalmente franca, acho que o pulo é anti-frustração, mas também é arriscado. Imagine que debaixo dele, em pleno ar, mora um abismo, com as águas batendo láaaa... em baixo... e que um erro não parece, mas é fatal. Que medo, hein? Pois é... o gato sente esse medo. Você acha que não? Claro que sim! É aquela pergunta entalada na garganta que temos receio de perguntar à professora carrasca da quinta série. É aquele primeiro beijo que a gente quer dar sem bater os dentes... é aquela bolsa de estudos que paga meio salário mas te dá experiências fantásticas. É aquela coragem de se olhar nu no espelho e dizer: céus, preciso emagrecer! É aquele primeiro encontro que depois de mil adiamentos você cria coragem para comparecer, mas na hora H te dá vontade de não ir. É aquele friozinho na barriga quando você diz ao seu chefe que por esse salário não dá mais pra ficar, mas não tem nenhuma proposta em outra empresa.
O pulo do gato é, simplesmente, quando você tem certeza de amar alguém e, reconhecendo ser difícil ficar longe desse alguém, pergunta, numa noite estrelada, ou durante o percurso de alguma viagem juntos: casa comigo? ... E vem aquela expressão que você lê no semblante de seu amor, em que a dúvida grita, e a hesitação idem. Ora, como o gato iria errar o seu pulo? Equívoco de cálculo? SE você até já fez seus planos, se já pensou em como chegar até a casa, se prometeu cozinhar, e até ensiná-lo a fazer sopa de feijão, que ele não sabe fazer? Como lidar com um risco incalculável, que nenhum Reuben Feffer - de QUERO FICAR COM POLLY ( Recomendo este filme!) - poderia estar ciente sem tremer toda a sua espinha dorsal? (risos)... ora, ora... esse é o detalhe. Os gatos, antes de pular, sabem os riscos, mas é impressionante como se asseguram de suas 7 vidas. Pareceria absurdo há uns tempos atrás, afirmar tal coisa. Mas errando o pulo, o seu amor amará outra vez, e mais outra, repetidamente. E não será você. Seu chefe pode arranjar outro para o seu lugar, porque afinal, o mercado está super-competitivo. Sua professora carrasca pode ralhar, e você pode descobrir que trocou meio salário por trabalho pesado.
Mas também pode receber outra proposta de 20 salários, porque seu desempenho foi bom. Pode receber um elogio da professora, porque sua pergunta foi boa. Pode ver a expressão do chefe e em seguida uma frase: você é bom, vamos ver como podemos resolver isto. E você, por fim, pode, depois de um silêncio em que seu coração quase parou de bater, ouvir do seu amor, depois daquele toque de mãos inconfundível: "sim amor, eu vou com você"...

Um comentário:

MODAS & ARTE disse...

Nossa!! Quantos “pulos do gato” dei em minha vida; infelizmente não tenho 7, mas o risco incalculável assim como pode lhe trazer tristeza, existe a mesma chance de trazer felicidade ... tive alguns pulos épicos, outros tortos, alguns caí, machuquei ...voltei a pular por cima do mesmo abismo... é, na vida sempre nos iremos nos deparar com a tal da decisão: Pular ou não pular?? E quando se trata de amar, os pulos são louváveis!!

Um grande abraço Linda. Adoro ler o que escreves.
Te dolo!! E bons pulinhos durante a semana.