terça-feira, 6 de novembro de 2007

Ice and fire

Que diria alguém antes de escrever um artigo técnico às 8 e meia da noite de uma terça? A que se referiria? Pois bem... hoje eu quero falar do gelo. Um estado físico da água... a saber... o sólido. Quero falar também do fogo... um dos quatro elementos básicos da terra. Os constrastes sempre me atraíram, como um imã. Preto e branco, como quero os móveis de minha sala, quando a tiver. Dia e noite, lua e sol, água e óleo, café e suco (no café da manhã)... e outros bons exemplos de opostos. E assim também é com o gelo e o fogo. Que coisa interessante! Entre a suavidade de um bebê e a impulsividade de um pit bull, os estados físicos da matéria vão se alternando, causando a impressão de que a água se recicla e precisa do fogo para mudar de estado.
E fogo... fogo é quando você prende a respiração porque a emoção toma conta; é aquele silêncio ao telefone, é o contato físico tão estreito que parece que a partícula menor do universo não cabe entre vocês. Tão diferente, tão crucialmente diferente do gelo. Daquele contato que acaba abruptamente porque vocês discordaram, e não conseguiram prosseguir até chegar ao consenso. Quando houve realmente algum motivo para que se estranhassem, e não se reconhecessem. Há ainda o gelo involuntário, quando uma das partes nem percebe que está gelando... ou será sensibilidade à flor da pele da parte congelada? Enfim... entre um extremo e outro, vivemos. Descobrimos coisas que antes não seriam perceptíveis, nem com uma poderosa sonda da NASA ou pela lente do microscópio eletrônico mais potente. Sutilezas, delicadezas, impaciências, palavras calculadas ou não, e a necessidade de estar junto. Esta só aumenta, tenho essa impressão. Primeiro evidencia-se por aquele tom cerimonioso de todo começo de relação, onde nos embalamos com uma grande fita vermelha, escondendo - no melhor estilo FILTRO SOLAR - aquelas partes que só depois vêm a tona. E aí vem o quê da história : o gelo, à medida que derrete, acompanha a paixão. E esta, quando se tem sorte, dá lugar ao amor.
Estou discursando porque hoje me senti em contato com um gelo, que classifico como inofensivo e involuntário. Um gelo de workaholic. Um gelo pontuado, mas não exterminado. Como devo ter feito algumas N vezes. Um gelo que às vezes já me parece familiar. Penso, penso... e assim prossigo, agradecendo pelas mutações da matéria. Porque também é verdade que já me queimei inteira no fogo, e no dia seguinte, me dizem que a cútis está ótima - que é para eu dar a receita, por favor. Oscilações. Transições de matérias, vocativos. No bom humor, como amo meu sorvetinho... porque conforme o clima, ele vai derretendo, derretendo... além de ser gostosíssimo. Traduzindo: de Maria Izabel, Cupuaçu, bacuri ou flocos nevados, que são minhas 4 primeiras opções ao chegar no shopping do gelo: a sorveteria. Ainda bem que de lá já saí... ainda bem que tão cedo não pretendo voltar. Até porque meu sorvetinho... ah... ele me foi entregue quando não queria se entregar, e com um certo custo, quando eu já estava decidida a sair sem sorvete algum.
SEE YOU LATER.

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